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sábado, 30 de julho de 2011

Carnaval na Quaresma?

Ponto de vista - 30 jul. 2011

Maldita corrupção

Em seu artigo intitulado "Casamento maldito", publicado hoje n'O GLOBO (p. 7), o senador Cristovam Buarque fala do casamento da impunidade jurídica e a falta de valores morais, que gera a corrupção; o que gera a desesperança dos jovens pela política. O grifo é nosso:

" (...) Coincidindo a impunidade jurídica e a falta de valores morais, a corrupção torna-se um filho natural da política e gera netos hediondos, tais como estradas paradas, porque a licitação foi burlada; alunos sem merenda, por causa do desvio de verbas; uma empresa escolhida no lugar de outra, porque pagou propina. Um triste produto desse casamento é a quebra da confiança nos políticos e a recusa dos jovens de ingressarem na política.

Ainda pior é quando os mais velhos olham com desconfiança para os jovens que desejam fazer política, como se eles quisessem obter vantagens, e não oferecer sacrifício ao país. A política fica sem dignidade, e os líderes que deveriam ser exemplos são vistos como aproveitadores. Quando as bandeiras tradicionais morrem antes de serem substituídas por novas e a impunidade coincide com um marco jurídico impotente para enfrentar e combater a corrupção, o país entra em crise de credibilidade.

É necessário romper esse casamento maldito, acabando com a impunidade e consolidando novas bandeiras. Mas vivemos em um tempo em que as bandeiras morrem antes que novas surjam. As ideias só se transformam em causas quando o povo as entende e aceita. Mas hoje a população está dividida entre uma parte pobre interessada apenas na solução dos problemas imediatos e uma parte rica desejosa de manter os benefícios aos quais está acostumada graças a um modelo de sociedade e economia que já não têm mais como manter tantos privilégios".

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Carnaval na Quaresma?

Na mesma página 7 d'O GLOBO, foi publicado um artigo do pesquisador da história do Carnaval do Rio de Janeiro Hiram Araújo, intitulado "Carnaval com data fixa".

Ele começa:

"O Brasil é o único páis o carnaval é um rito nacional, sendo simultanemante comemorado em todas as cidades brasileiras".

Em seguida, ele dá exemplos de cidades onde a festa "acontece de acordo com os interesses cilmáticos, e econômicos e turísticos"; e defende que, como o carnaval é uma festã pagã, não deveria ser definida pelo calendário católico.

Ele termina o artigo da seguinte forma:

"Assim funcionou no princípio. No Brasil, no tempo da colonização, se confundia carnaval com a festa religiosa católica. Mas o carnaval evoluiu e no mundo tornou outro rumo inteiramente diverso da religião. Apenas no Brasil permaneceu a data ligada ao calendário religioso. É um equívoco: o carnaval hoje é uma festa ligada aos interesses econômicos e turísticos, entre nós. O carnaval quando cai no principio de fevereiro é um desastre econômico para cidade, pois encurtamos a permanência de foliões e visitantes na cidade, deixando de funcionar o comércio e a indústria hoteleira. Melhor seria ter o carnaval com data fixa, no primeiro domingo de março".

Se um dia decidirem, por lei, fazer como ele sugere, corre-se o risco do Carnaval fixo acontecer em plena Quaresma dos católicos - período dos quarenta dias que antecedem a Páscoa, marcados pela moderação e pelo recolhimento espiritual. E não há, em nome da modernidade, como apagar a tradição católica do país. Daria pano pra manga.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Biblioteca de rico

Ponto de vista - 25 jul. 2011

A perigosa extrema-direita


Sobre o atentado terrorista na Noruega, saiu a reportagem “Radicalismo europeu”, de Nicholas Kulish, na página 23. Afirma que a tragédia na Noruega revela perigo do crescimento da extrema-direita no continente. A análise leva à reflexão:

“O sucesso dos partidos populistas que apelam para um sentimento de perda da identidade nacional trouxe críticas a minorias, imigrantes e, em particular, a muçulmanos. Tudo isso turbinado pela crise econômica, que infla o número de desempregados e aumenta a frustração.
A explosão e o tiroteios em Oslo servem como alerta para os serviços de segurança na Europa e nos Estados Unidos que, nos último anos, ficaram tão focados nos terroristas islâmicos que talvez tenham subestimado a ameaça de radicais locais”.

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Biblioteca de rico

O Fundador do Institute for the Future of the Book (Instituto para o futuro do livro), Bob Stein, em entrevista dada a Márcia Abos, publicada na página 3 do Segundo Caderno d’O GLOBO, deu uma resposta que chama atenção para os que gostam de literatura e acompanham o advento do livro digital:

“Ler [um livro impresso, sozinhos, concentrados, por horas a fio]... é algo recente não é uma prática tão tradicional e arraigada assim. No século XIX, o normal era as pessoas lerem em voz alta, em grupo. Uma biblioteca pessoal com estantes cheias de livros era raríssimo, privilégio dos ricos até depois da Segunda Guerra Mundial. Os comportamentos que desenvolvem a leitura solitária são recentes. Temos medo de perder algo se esses hábitos mudarem. Mas a Humanidade evoluiu durante muito tempo sem isso. As novas gerações encontrarão algo novo que será tão valioso quanto este tipo de leitura foi para nós”.

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Sempre na lanterna

Na coluna do Ancelmo Góis, na página 12, a nota “Sobrou para a cultura”. Ele diz: “Quem já viu no Planejamento a proposta para o Orçamento de 2012 diz que a tesoura da ministra Miriam Belchior deve cortar uns R$ 500 milhões da Cultura em relação a 2010”.

Sempre a cultura! Enquanto isso, banqueiros continuam faturando cada vez mais.

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Governo refém

Na página 3, artigo de Gerson Camarotti e Adriana Vasconcelos afirma que, em nome da governabilidade, o PMDB será poupado da faxina promovida pela presidente Dilma. “Para não perder sustentação, presidente não fará limpeza em ministérios do partido”.

Esse “toma lá, dá cá” é mesmo inevitável? Indecente eu sei que é.

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Corrupção enraizada

Destaque para a frase de Ricardo Noblat no seu artigo “Questão de fé”, em sua coluna semanal n’O GLOBO de hoje (p. 2):

"Há corrupção em quase todas as instâncias do governo. Os partidos brigam pelos cargos não para ajudar o governo, mas desviar o máximo de dinheiro possível".

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Idade que chega

Da charge do "Gatão da meia-idade", de Miguel Paiva, na página 13, destaco uma frase interessante:

“Você está ficando velho quando... a data do seu nascimento começa a aparecer nos livros de história”.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Marketing eleitoral versus honestidade

Nesses tempos de eleições, já ouvi muita gente dizer que não votaria em um determinado candidato porque esse não teria chances de ganhar. Sendo que, essas "chances" normalmente são medidas pela visibilidade (propaganda) do candidato.

Agora, eu me pergunto: Vale a pena votar num candidato com campanha rica?

Ontem, o jornal O DIA Online publicou uma reportagem sobre o alto custo de uma campanha eleitoral. Tal matéria relatava o quanto sai caro o aluguel de um só carro de som e o seu combustível, que é pago por fora; e as despesas com os materiais gráficos (os 'santinhos', os adesivos, etc.) e o pagamento dos cabos eleitorais que fazem a distribuição dos ‘santinhos’ nas ruas ou seguram os galhardetes de propaganda do candidato.

Quanto mais carros de som, mais cabos eleitorais, mais placas, adesivos, etc., mais rica é a campanha.

Por tudo isso, podemos palpitar que uma campanha de um candidato com boa (ou ótima) visibilidade custaria em torno de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Agora, coloque isso na ponta do lápis...

Para citar o exemplo de minha pequena Nilópolis, onde o vereador da próxima legislatura receberá R$ 6.000,00 (seis mil reais) por mês,
o político daquela campanha rica precisará de mais de 33 meses inteiros de salário (quase três anos) para pagar cobrir o que gastou na campanha.

Você confiaria em elegê-lo? Confiaria na honestidade dele? Eu não.