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domingo, 8 de julho de 2012

Impressos e profecias

Ponto de vista - 08 jul. 2012

Trazemos o artigo da colunista Míriam Leitão, em parceria com Valéria Maniero, intitulado "Jornal de papel", publicado hoje na página 30 do jornal O GLOBO. Elas dissertam sobre a insistente polêmica do possível fim do jornal e do livro impressos, diante da tecnologia digital. Os grifos são nossos:

"O jornal vai morrer. É a ameaça mais constante dos especialistas. E essa nem é uma profecia nova. Há anos a frase é repetida. Jornais desaparecem em vários países, tiragens diminuem, redações emagrecem. O tempo que o leitor, em média, fica diante de um exemplar encurta. Experiências são feitas para atrair leitores na era da comunicação nervosa, rápida, multicolorida, performática. Mas o que é o jornal? Onde mora seu encanto?

O que é sedutor no jornal é ser ele mesmo e nenhum outro formato de comunicação de ideias, histórias, imagens e notícias. No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade. O pior erro que se pode cometer é um meio negar sua própria natureza e tentar ser outro dos muitos seres que povoam esse mundo, seres que agora se multiplicam.

É intenso o mundo da comunicação de hoje e não permite muitos erros. Trabalha-se num meio mutante e desafiador. Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apresentam como tendência irreversível, modeladora do futuro inevitável e fatal. Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos.

O livro vai morrer, dizem os mesmos especialistas que atestam o fim dos jornais. E o livro migra, muda e fica. Parati e para mim. Fica em papel ou em meio digital, como um dia foi pergaminho, papiro. Os livros têm o encantamento eterno que faz, ainda hoje, jovens disputarem concursos literários, pessoas de todas as idades circularem por festivais como a Flip — ou Clip, como diria Verissimo — e as bienais. Livros forjam pessoas, personalidades e sensações; marcam momentos e etapas da vida.

A biblioteca da exposição “Humanidades” foi formada pela mesma pergunta feita a pessoas de áreas diferentes: que livros influenciaram sua formação? Há pessoas que diante dessa pergunta podem até ficar constrangidas. Há outras que souberam os marcos do caminho da sua própria construção.

Leitora compulsiva de jornais desde a infância, não saberia viver sem eles. Leitora obsessiva de livros, só fiquei sem eles uma única vez na minha vida e foi sob a mira de armas. Na prisão, fui impedida de ler. Fazia parte do tormento. No longo silêncio sem livros, sem jornais, eu lembrava trechos dos livros mais amados. “Diadorim, meu diadorim”. E me sentia liberta.

Migrante por todas as mídias, conheço a força e o jeito de cada uma. Jornal, rádio, televisão, revista, blogs, sites, twitter e tudo o que mais vier. Aqui, neste matutino carioca, começou este ano um produto vespertino específico para tablets. E ele é diferente de todas as outras mídias e preenche um vazio que nem se sabia que existia. Isso é que é curioso. A tecnologia de comunicação inventa a estrada e logo surgem produtos novos de comunicação. E tudo que circula é o mesmo e é diferente. É notícia, imagem parada ou em movimento, ideia, reflexão, opinião.

Sempre aparecem os que garantem que um meio está morrendo, porque o outro nasceu e, na verdade, eles todos convivem. E a mudança continua em ritmo veloz. Quem não se lembra do vaticínio sobre o rádio? Tudo fica e muda. Essa é a natureza da era da comunicação vertiginosa.

Quando criança, eu me sentava ao lado do meu pai, assim que o jornal chegava, e colhia os suplementos que caíam do seu primeiro olhar, e depois vasculhava as partes centrais já lidas por ele. Lembro desses momentos com ternura. Da leitura conjunta brotavam discussões acaloradas sobre nossas divergências de opinião. Assim cresci.

Sábado passado eu estava mergulhada na leitura dos jornais, quando Mariana, minha neta de seis anos, acomodou-se ao meu lado no sofá, imitando meu jeito de sentar e perguntou:

— E o meu?

— O seu o quê?

— O meu jornal!

Dei para ela o Globinho, o Estadinho. Não achei a Folhinha.

A cara dela de satisfação era de derrubar as convicções sobre o fim iminente do jornal. Daniel, meu neto de dois anos, chegou exigindo o seu exemplar de uma forma, digamos, insistente. As páginas terminaram partidas.

Os jornais vão acabar, garantem os especialistas. E, por isso, dizem que é preciso fazer jornal parecer com as outras formas da comunicação mais rápida, eletrônica, digital. Assim, eles morrerão mais rapidamente. Jornal tem seu jeito. É imagem, palavra, informação, ideia, opinião, humor, debate, de uma forma só dele.

Todos os jornais passaram a ter sites onde as notícias se movem o dia inteiro e as imagens em movimento se misturam a fotos. E como todos os sites estão olhando todos os sites, eles vão mudando o dia inteiro. Um copiando o outro. Dias atrás, vi um em que uma notícia começava em português e terminava em espanhol; um ideal há muito sonhado no mundo ibero-americano: a fusão dos dois idiomas.

Nesse tempo tão mutante em que se tuíta para milhares, que retuítam para outros milhares o que foi postado nos blogs, o que está nos sites dos veículos online, que chance tem um jornal de papel que traz uma notícia estática, uma foto parada, um infográfico fixo?

Terá mais chance se continuar sendo jornal.
"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Epitáfio escrito no papel

Peregrinei hoje pelas bancas de jornais como um adolescente afoito pela última figurinha, aquela que completa o álbum. Quando lembrei já era tarde. Queria comprar a última edição impressa do Jornal do Brasil (JB). Não tive sucesso. Até acionei amigos que trabalham no centro comercial. Não teve jeito. Foi aí que decidi o tema do texto que ambicionava escrever especialmente por ocasião "Dia do Blog" (Blog Day).

Bem, para ser sincero, eu nunca fui leitor assíduo do JB. Infelizmente não vivi na época do chamado "Velho JB". Recordo-me apenas de tê-lo feito na época das Olimpíadas de Barcelona, em 1992, adolescente, para colecionar o caderno especial dos jogos; nos meses que antecederam o vestibular, para ficar atualizado no quesito "conhecimentos gerais"; e mais recentemente, em 2006, quando o jornal passou a ser impresso no formato tabloide e ficou, digamos, mais popular - por curiosidade. De qualquer forma, merece todas as homenagens.

Fundado no século retrasado (!), em 1891, o legítimo JB, aos 119 anos, que ostenta o título de ter sido o primeiro jornal brasileiro na internet, o que concretizou em 1995, deixará de ser impresso e distribuído em papel para habitar exclusivamente a rede internacional de computadores. O motivo é "um recurso para superar os problemas financeiros da empresa. O passivo acumulado chega a R$ 800 milhões, em dívidas trabalhistas e fiscais" (Estadão).

O fim do JB impresso repercute no Twitter com algumas pessoas fazendo piada que mais uma vez o jornal estaria sendo pioneiro. Não verdade. A combativa Tribuna da Imprensa (aqui a versão online) que admirei muito mais que ao JB circulou pela última vez no dia 01 de dezembro de 2008 "com um editorial ocupando toda a primeira página, assinado pelo jornalista Hélio Fernandes" (Observatório da Imprensa). Se bem que Helio Fernandes disse numa entrevista que essa interrupção é momentanea: "Pode ser cinco dias, cinco meses, cinco anos..." (Observatório da Imprensa).

Na versão em HTML da derradeira edição que não encontrei hoje nas bancas, o jornalista Franklin Martins, atual Ministro da Comunicação Social, disse acreditar que, em cerca 25 anos, "todos os jornais deixarão o papel, transferindo-se para o meio digital" (Jornal do Brasil, 31 ago. 2010. p. 3). Será?

A episódio mais marcante do jornal do Brasil, que aprendi nos bancos escolares, é contado hoje com propriedade na matéria do Estadão: "O Jornal do Brasil é responsável por edições memoráveis da história da imprensa brasileira, principalmente no período da ditadura militar. Ficou famosa sua edição de 14 de dezembro de 1968, sobre o AI-5.
Para burlar a censura imposta pelos militares, publicou na primeira página, uma fictícia previsão do tempo. 'Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.' Na mesma edição, à direita, uma chamada para uma efeméride: 'Ontem foi o Dia dos Cegos'".

Aplausos ao Jornal do Brasil, que amanhã não estará nas bancas. Só aqui.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Obama: Uma nova era?

A posse de Obama como presidente dos EUA foi destaque nos principais jornais de todo o mundo; e o site Going.com publicou um grande mosaico com mais de mil primeiras páginas.


As manchetes mais recorrentes foram "Uma nova era"; e o nosso familiar "A esperança venceu o medo".

Confira: http://c6.going.com/obama/inauguration_headlines.html.