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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ler para transformar o mundo

Continuamos a nossa campanha de promoção do livro e da leitura, trazendo a seguinte informação:


O Ministério da Cultura (MinC) lançou ontem (02/08) a segunda etapa de campanha "Leia Mais, Seja Mais", que busca incentivar a leitura nas classes C, D e E. 

"Quanto mais você lê, mais o mundo se transforma" é um dos lemas da campanha que disponibiliza na internet material para ampla divulgação como vídeo, spots para rádios e áudios para espera telefônica que recitam trechos de clássicos da literatura nacional.



Material da campanha: http://www.cultura.gov.br/site/2012/08/02/leia-mais-seja-mais-2/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Primeiras letras - blogueiro por um dia

Ponto de vista - 16 jul. 2012


O texto abaixo foi publicado sexta-feira, dia 13 de julho de 2012, n'O GLOBO Online - seção "blogueiro por um dia" do blog do colunista Ancelmo Góis; e trata sobre a importância de ensinar às crianças o mundo da leitura. Os grifos devem ser vossos.

* * * * *

PRIMEIRAS LETRAS

por Anderson Moura


“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas” (Mário Quintana). 


Vemos o planeta em ebulição; gente nos quatro cantos do mundo, conectadas nas redes sociais, organizando protestos e derrubando governos autoritários e intolerantes... Mas e no caso do Brasil? Falta muito para vencermos o maior entrave às engrenagens da igualdade social: a corrupção. Desta maneira, o mais importante é cultivarmos o não-conformismo e colaborarmos para que um número maior de pessoas seja capaz de ler o mundo e reinterpretá-lo à luz das mudanças necessárias. É justamente aí que reside o papel fundamental da educação e da promoção da leitura. 

Uma recente pesquisa divulgada no primeiro semestre pelo Instituto Pró-Livro diz que o brasileiro tem lido cada vez menos livros. Sinceramente, não é o que temos observado por aí... Além do mais, sabemos que quantidade de livros lidos não é quantidade de páginas. Vários dos livros que estão nas listas de mais vendidos há várias semanas são verdadeiros calhamaços. Um dos volumes de uma dessas séries juvenis de fantasia épica tem cerca de 900 páginas! No Skoob (Do inglês ‘books’. Livros, de trás para frente) – a rede social dos aficcionados em livros – constatamos que os títulos de ficção de bruxinhos e vampiros estão entre os mais lidos na atualidade; e, na vida real, facilmente podem ser encontrados nas carteiras de colégios, nas mãos de estudantes. Se despertarem o jovem para o hábito de leitura, certamente podem significar o ponto de partida para o contato com outros gêneros literários. 

O escritor e cartunista Ziraldo, autor de "O Menino Maluquinho", costuma dizer que “ler é mais importante do que estudar”. O dito já gerou polêmica entre educadores; mas concluímos que a afirmação é certeira, pois só gosta de estudar quem gosta de ler. Como podemos, então, incentivar de forma eficaz o gosto pela leitura? 

As primeiras letras devem ser incentivadas desde cedo, contando histórias para as crianças; presenteando-as com revistas de história em quadrinhos; apresentando-as o mundo dos livros; levando-as para conhecer uma biblioteca; ou dando a elas oportunidade de escolher um livro numa visita à livraria. A criança também crescerá aprendendo a gostar de ler, se ver os adultos praticando o mesmo hábito saudável; como a torcida do clube de futebol que cresce pela ação dos pais que vestem a camisa do time e presenteiam seus filhos com ela desde o berço. São atividades nobres como plantar uma árvore e regá-la... sem elas não colheremos os frutos de uma sociedade melhor.

domingo, 8 de julho de 2012

Impressos e profecias

Ponto de vista - 08 jul. 2012

Trazemos o artigo da colunista Míriam Leitão, em parceria com Valéria Maniero, intitulado "Jornal de papel", publicado hoje na página 30 do jornal O GLOBO. Elas dissertam sobre a insistente polêmica do possível fim do jornal e do livro impressos, diante da tecnologia digital. Os grifos são nossos:

"O jornal vai morrer. É a ameaça mais constante dos especialistas. E essa nem é uma profecia nova. Há anos a frase é repetida. Jornais desaparecem em vários países, tiragens diminuem, redações emagrecem. O tempo que o leitor, em média, fica diante de um exemplar encurta. Experiências são feitas para atrair leitores na era da comunicação nervosa, rápida, multicolorida, performática. Mas o que é o jornal? Onde mora seu encanto?

O que é sedutor no jornal é ser ele mesmo e nenhum outro formato de comunicação de ideias, histórias, imagens e notícias. No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade. O pior erro que se pode cometer é um meio negar sua própria natureza e tentar ser outro dos muitos seres que povoam esse mundo, seres que agora se multiplicam.

É intenso o mundo da comunicação de hoje e não permite muitos erros. Trabalha-se num meio mutante e desafiador. Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apresentam como tendência irreversível, modeladora do futuro inevitável e fatal. Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos.

O livro vai morrer, dizem os mesmos especialistas que atestam o fim dos jornais. E o livro migra, muda e fica. Parati e para mim. Fica em papel ou em meio digital, como um dia foi pergaminho, papiro. Os livros têm o encantamento eterno que faz, ainda hoje, jovens disputarem concursos literários, pessoas de todas as idades circularem por festivais como a Flip — ou Clip, como diria Verissimo — e as bienais. Livros forjam pessoas, personalidades e sensações; marcam momentos e etapas da vida.

A biblioteca da exposição “Humanidades” foi formada pela mesma pergunta feita a pessoas de áreas diferentes: que livros influenciaram sua formação? Há pessoas que diante dessa pergunta podem até ficar constrangidas. Há outras que souberam os marcos do caminho da sua própria construção.

Leitora compulsiva de jornais desde a infância, não saberia viver sem eles. Leitora obsessiva de livros, só fiquei sem eles uma única vez na minha vida e foi sob a mira de armas. Na prisão, fui impedida de ler. Fazia parte do tormento. No longo silêncio sem livros, sem jornais, eu lembrava trechos dos livros mais amados. “Diadorim, meu diadorim”. E me sentia liberta.

Migrante por todas as mídias, conheço a força e o jeito de cada uma. Jornal, rádio, televisão, revista, blogs, sites, twitter e tudo o que mais vier. Aqui, neste matutino carioca, começou este ano um produto vespertino específico para tablets. E ele é diferente de todas as outras mídias e preenche um vazio que nem se sabia que existia. Isso é que é curioso. A tecnologia de comunicação inventa a estrada e logo surgem produtos novos de comunicação. E tudo que circula é o mesmo e é diferente. É notícia, imagem parada ou em movimento, ideia, reflexão, opinião.

Sempre aparecem os que garantem que um meio está morrendo, porque o outro nasceu e, na verdade, eles todos convivem. E a mudança continua em ritmo veloz. Quem não se lembra do vaticínio sobre o rádio? Tudo fica e muda. Essa é a natureza da era da comunicação vertiginosa.

Quando criança, eu me sentava ao lado do meu pai, assim que o jornal chegava, e colhia os suplementos que caíam do seu primeiro olhar, e depois vasculhava as partes centrais já lidas por ele. Lembro desses momentos com ternura. Da leitura conjunta brotavam discussões acaloradas sobre nossas divergências de opinião. Assim cresci.

Sábado passado eu estava mergulhada na leitura dos jornais, quando Mariana, minha neta de seis anos, acomodou-se ao meu lado no sofá, imitando meu jeito de sentar e perguntou:

— E o meu?

— O seu o quê?

— O meu jornal!

Dei para ela o Globinho, o Estadinho. Não achei a Folhinha.

A cara dela de satisfação era de derrubar as convicções sobre o fim iminente do jornal. Daniel, meu neto de dois anos, chegou exigindo o seu exemplar de uma forma, digamos, insistente. As páginas terminaram partidas.

Os jornais vão acabar, garantem os especialistas. E, por isso, dizem que é preciso fazer jornal parecer com as outras formas da comunicação mais rápida, eletrônica, digital. Assim, eles morrerão mais rapidamente. Jornal tem seu jeito. É imagem, palavra, informação, ideia, opinião, humor, debate, de uma forma só dele.

Todos os jornais passaram a ter sites onde as notícias se movem o dia inteiro e as imagens em movimento se misturam a fotos. E como todos os sites estão olhando todos os sites, eles vão mudando o dia inteiro. Um copiando o outro. Dias atrás, vi um em que uma notícia começava em português e terminava em espanhol; um ideal há muito sonhado no mundo ibero-americano: a fusão dos dois idiomas.

Nesse tempo tão mutante em que se tuíta para milhares, que retuítam para outros milhares o que foi postado nos blogs, o que está nos sites dos veículos online, que chance tem um jornal de papel que traz uma notícia estática, uma foto parada, um infográfico fixo?

Terá mais chance se continuar sendo jornal.
"

terça-feira, 19 de junho de 2012

Livros antes probidos, hoje populares


Desde o século XVI até 1966, a Igreja Católica manteve o chamado Índice dos Livros Proibidos (Index Librorum Prohibitorum), uma lista de publicações literárias proibidas aos católicos. Vários eram os motivos de censura dessas obras segundo o julgamento do clero: deficiência moral, heresia, incorreção política, sexualidade explícita, etc.

Expoentes dos movimentos chamados de Humanismo e do Renascimento, muitos desses livros são verdadeiros clássicos universais (a proibição, seja ela qual for, sempre ajuda a alavancar o sucesso de uma obra); e a editora Martin Claret é uma das grandes responsáveis pela popularização dessas obras que, longe da proibição de tempos idos, hoje são de domínio publico e fácil acesso. Somente neste mês de junho, a editora lançou o Leviatã, de Thomas Hobbes, escritor que teve todas as obras listadas no Index; e o Elogio da loucura, de Erasmo de Rotterdam (uma região da atual Holanda), cujas obras tiveram o mesmo destino, só que depois de seu falecimento. E até mesmo, Jean de La Fontaine, autor do qual a editora publica Fábulas, teve a sua obra Contes et Nouvelles lançada na lista dos livros proibidos.

Escritor, filósofo e teólogo católico, Erasmo escreveu "O Elogio da Loucura" como homenagem a Thomas More (autor de A Utopia), outros famoso católico, seu grande amigo. Sua obra máxima fez grande sucesso à época de seu lançamento e continua atual. Nela denuncia males como hipocrisia, a ingratidão e a intolerância; e, apesar, de suas denúncias se situarem em um ponto equidistante entre o catolicismo e o protestantismo, sua obra é considerada uma das inspirações para este último.

O inglês Thommas Hobbes, por sua vez, foi um dos principais teóricos do absolutismo. Ele sustentava que sem um governo forte e eficiente, os homens não respeitariam os limites necessários a uma boa convivência social. Daí que cunhou a expressão “o homem é o lobo do homem”. Na sua ideia do “contrato social”, o Estado seria um mal necessário, um aparato administrativo monstruoso capaz de assegurar que os indivíduos teriam um comportamento social mais pacífico.

Confira as sinopses:



Elogio da loucura nº 37

Erasmo de Rotterdam – Coleção A obra-prima de cada autor

Escrito em 1509 e publicado em 1511, Elogio da loucura é considerado um dos mais importantes livros da civilização ocidental e um grande influenciador da Reforma Protestante.
Neste ensaio singular, repleto de alusões clássicas, escritas no estilo típico dos humanistas do Renascimento – em que a loucura é a narradora que ao longo do texto vai mostrando o quanto está presente no mundo dos homens e que, no fundo, é quem torna a vida mais branda e suportável –, Erasmo critica o ensino da Escolástica, os falsos sábios distanciados da vida simples, a suntuosidade do alto clero em contraste com os ensinamentos de Cristo, a hipocrisia das instituições humanas e as guerras.
Uma das grandes obras do Renascimento, Elogio da loucura influenciou o processo das profundas transformações que marcaram o fim da Idade Média e início da Idade Moderna.
Código do Produto: 9788572327541
 ISBN: 978-85-7232-754-1



Leviatã nº 1

Thomas Hobbes – Coleção A obra-prima de cada autor – Série Ouro

Leviatã (1651) é a mais importante criação de Thomas Hobbes e considerada por muitos sua obra-prima.
A filosofia de Hobbes, especialmente sua teoria a respeito da origem contratual do Estado, exerceu profunda influência no pensamento de Rousseau, Kant e dos enciclopedistas. Além disso, contribuiu para preparar, no plano ideológico, o advento da Revolução Francesa.
Partidário do absolutismo político, defende-o sem recorrer à noção do “direito divino”.
Segundo o filósofo, a primeira lei natural do homem é a da autopreservação, que o induz a impor-se sobre os demais – “guerra de todos contra todos”. Leviatã é, sem dúvida, leitura obrigatória para os interessados em filosofia.
Código do Produto: 9788572327626
ISBN: 978-85-7232-762-6

Os outros lançamento você  encontra no blog da editora Martin Claret.


sábado, 2 de junho de 2012

A rede social e a promoção da leitura


Ontem (1º de junho), a leitura e a literatura foram destaques na Internet. Promovida pelo site Skoob, a tralha (hashtag) #JunhoSK alcançou a lista dos “Assuntos do momento” (Trending Topics) no Twitter quando os usuários dessa rede social passaram a divulgar quais livros estavam lendo na abertura do mês.

O Skoob – books (livros) de trás para frente – é uma rede social que se apresenta como “a maior comunidade de leitores do Brasil”. Nela, montando a sua própria estante virtual (álbum de capas de livros); e, catalogando aqueles que leu ou pretender ler; o usuário pode, ainda, dar notas aos livros, compartilhar resenhas, combinar trocas de livros via correios. Uma excelente ferramenta para descobrir novos livros, autores, editoras; e até fazer novos amigos.

Temos observado que mais pessoas têm manifestado o hábito da leitura; exatamente a mesma impressão que Beth Serra manifestou num artigo publicado em abril, na edição dominical de um jornal de grande circulação - o que contrasta com a pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro que diz que o brasileiro tem lido cada vez menos.

Sabemos bem que quantidade de livros não é quantidade de páginas: Vários dos livros que estão nas listas de mais vendidos há várias semanas são verdadeiros calhamaços. Um dos volumes de uma dessas séries juvenis – “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin – beira um total de novecentas páginas!

Entretanto, para que não haja um hiato nesse crescimento a olho nu, a promoção da leitura deve ser incessante e atacar em todas as faixas etárias, pois a criança só crescerá aprendendo a gostar de ler, se ver os adultos praticando o mesmo hábito saudável; da mesma forma que uma torcida do clube de futebol que cresce pela ação dos pais que vestem a camisa do time e presenteiam seus filhos com ela desde o berço. Se assim for com o livro, conseguiremos outros maracanãs de leitores.

domingo, 27 de maio de 2012

Ler é mais importante que estudar

Sábias palavras do escritor e cartunista Ziraldo, hoje, na coluna "Conexão Leitor" d'O DIA (p. 22):


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cultivar leitores

Ponto de vista - 30 abr. 2012

Destacamos o artigo intitulado "Semear livros", da autoria de Ana de Hollanda e de Galeno Amorim, publicado hoje na página 7 d'O GLOBO de ontem. Vemos com esperança as ações anunciadas pelo governo federal no campo da promoção da leitura. Torcemos, no entanto, para que não sejam postergadas por sucessivos entraves burocráticos; como tem sido constante em tudo que diz respeito à cultura. Os grifos são nossos:


"Monteiro Lobato, que no último dia 18 de abril completaria 130 anos, continua tão vivo na memória do povo brasileiro que acaba de ser confirmado como o escritor mais admirado do Brasil. Tal fenômeno, num lugar onde o índice de leitura ainda está aquém do satisfatório, deve-se à marcante presença de sua obra para sucessivas gerações. Foi ele quem inventou a literatura infantil e o próprio negócio do livro no Brasil, além de apregoar que precisávamos ler mais para termos um país melhor.

Além dessa admiração dos brasileiros de todas as idades por Lobato, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, traz outras revelações. A boa notícia é que mostra a consolidação do fato de a média nacional de leitura ter dobrado na última década (de apenas 1,8 livro por habitante/ano em 2001 para os atuais quatro livros).

A má notícia vem justamente dessa consolidação - entre 2007 e 2011 os índices de leitura se mantiveram no mesmo patamar, e até caíram um pouco, quando o que se precisava era justamente o contrário: uma ascensão contínua. Ou seja, o Brasil continua a ler pouco, e ainda temos cem milhões de brasileiros que não leem um livro sequer.

Para cativar leitores e, sobretudo, os não leitores, é necessário um conjunto de ações, que se por um lado deve atuar no sentido de melhorar - e, em muitos casos, dar alguma habilidade leitora a uma parte substancial da população que está distante dos livros, de outro é imprescindível que se dê acesso àqueles leitores ávidos por tê-los à mão.

É aí que entra o papel da biblioteca pública! Mas como cumpri-lo se só um entre cada dez brasileiros vai com frequência a uma delas e nada menos do que metade da população jura que nada será capaz de fazer com que entre em uma delas? Dentre as queixas mais comuns ouvidas pelos entrevistadores do Ibope estão a falta de livros novos, ou em boas condições, e deficiências nos acervos.

Esses fatores, além da difícil acessibilidade, são responsáveis por afastar as pessoas das bibliotecas. Apesar de a maioria dos entrevistados saber da existência de bibliotecas em suas cidades ou bairros, mesmo assim três em cada quatro deles não as frequentam (!), um índice exageradamente alto. Por outro lado, sabe-se que não há país desenvolvido no mundo que tenha alcançado essa posição sem, antes, ter solucionado a questão do acesso à educação de qualidade, à cultura e, particularmente, à leitura.

O tema biblioteca está no topo dos investimentos em políticas públicas do livro e leitura que o Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional anunciaram em abril. Mas não basta construir e implantar mais bibliotecas ou recompor os desatualizados acervos desses equipamentos culturais (embora 20% dos leitores digam que o simples fato de haver livros novos os estimularia a ir até uma biblioteca). Por isso, além de criar, de forma inédita, um programa que já começa ampliando e atualizando o acervo de 2.700 bibliotecas municipais e comunitárias, com obras escolhidas por elas próprias, serão anunciados novos programas para investir na formação dos bibliotecários.

E, ao mesmo tempo, milhares de jovens e professores e bibliotecários aposentados serão contratados este ano para atuar nas comunidades, inclusive rurais, como agentes de leitura, que vão de casa em casa levar os livros e, com eles, um novo horizonte em suas vidas.

Quem sabe, assim, nos anos vindouros só boas notícias possam ser dadas ao se anunciar os novos Retratos da Leitura no Brasil. Afinal, somente a leitura formará cidadãos com consciência crítica, e só a leitura, a literatura e o livro, uma nova legião de Lobatos, agora e no futuro.
"


ANA DE HOLLANDA é ministra da Cultura. GALENO AMORIM é presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Livros e Rock

Ponto de vista - 26 abr. 2012


Na coluna do Ancelmo Góis, página 20 d'O GLOBO de hoje, saiu a nota “Livro in Rio” (o grifo é nosso): 

"Ziraldo reclama de Eduardo Paes por não ter autorizado o uso de galhardetes para divulgar o 13º Salão Brasileiro de Literatura Infanto-Juvenil:

— Com os milhares de galhardetes que o Rock in Rio espalhou, parece que rock é mais importante do que livro..."

Lamentável, senhor prefeito.

* * * * *

Atualização em 27 abr. 2012:

Da mesma coluna do Ancelmo Góis, hoje, na página 18 d'O GLOBO, a nota "Os procalhões":



"Paes diz ter recebido, terça, e autorizado no mesmo dia, um pedido de Ziraldo para liberar galhardetes nos postes para indicar o Salão de Literatura infantil: 
 
— Acho que emporcalham o Rio. Só os libero em situações especiais como essa".

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Recordações do escrivão Isaías Caminha - resenha

Recordações do escrivão Isaías Caminha
Lima Barreto
Martin Claret
208 páginas. R$ 17,50.
www.martinclaret.com.br


“Gente miserável que dá sanção aos deputados, que os respeita e prestigia! Por que não lhes examinam as ações, o que fazem e para que servem? Se o fizessem... Ah! se o fizessem! Que surpresa! Riem-se, enquanto do suor, da resignação de vocês, das privações de todos tiram ócios de nababo e uma vida de sultão...” (p. 58)

Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicada pela primeira vez em 1909, foi a primeira obra do consagrado escritor Afonso Henrique de Lima Barreto; autor de outras obras de ficção, sendo O Triste Fim de Policarpo Quaresma a mais famosa, e também primorosos contos a exemplo de O Homem que Falava Javanês.

A obra de Lima Barreto - que a editora Martin Claret ora publica sob o novo acordo ortográfico da língua portuguesa - é marcada pelo retrato caricatural de sua época e por sua tendência para a polêmica, como pudemos ler acima numa crítica aberta aos políticos de então. Ele mesmo (o autor) um mulato e pobre, resolveu dar vida a Isaías Caminha, um personagem de classe humilde que se embrenha nos corredores da alta sociedade de seu tempo, criticando-lhe a falta de ética e abusos de poder.
“A Imprensa! Que quadrilha! Fiquem vocês sabendo que, se o Barba-Roxa ressuscitasse [...] só poderia dar plena expansão à sua atividade se se fizesse jornalista. Nada há tão parecido como o pirata antigo e o jornalista moderno: a mesma fraqueza de meios, servida por uma coragem de salteador; conhecimentos elementares do instrumento de que lançam mão e um olhar seguro, uma adivinhação, um faro para achar a presa e uma insensibilidade, uma ausência de senso moral a toda prova... E assim dominam tudo, aterram, fazem que todas as manifestações de nossa vida coletiva dependam do assentimento e da sua aprovação. Todos nós temos que nos submeter a eles, adulá-los, chamá-los gênios, embora intimamente os sintamos parvos, imorais e bestas... [...] E como eles aproveitam esse poder que lhes dá a fatal estupidez das multidões! Fazem de imbecis gênios, de gênios imbecis; trabalham para a seleção de mediocridades” (p. 92)

O romance trata-se de uma crítica ao Correio da Manhã, o jornal de maior sucesso e influência naquela primeira década do século XX, na então capital da nascente República; o que contribuiu para que o gênio do autor não recebesse o reconhecimento ainda em vida, pois tendo ele criticado as chamadas "panelinhas" das redações, recebeu o boicote do poderoso jornal que lhe fechou as portas para a divulgação de sua obra; ação esta que foi seguida pelo corporativismo dos outros órgãos da imprensa.

A obra inaugural de Lima Barreto é ainda hoje muito atual, pois podemos intuir que o mesmo continua acontecendo na redação dos jornalões de hoje em dia e, temos certeza, no jogo de interesses do meio político. Como ele mesmo escreveu nove anos depois numa crônica:

"A República do Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia” (LIMA BARRETO, 1918).
Nesse sentido, em Lima Barreto podemos enxergar muito sobre o Brasil de hoje; esse mesmo Brasil sobre o qual nos pesa o desafio e a responsabilidade de torná-lo mais ético.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Os escritores brasileiros mais admirados pelos leitores

Os leitores entrevistados pelo Instituto Pró-Livro durante a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada hoje, também responderam, de forma espontânea e com uma única opção, qual era o escritores brasileiro que mais admirava. O resultado foi o seguinte:

1) Monteiro Lobato
2) Paulo Coelho
3) Jorge Amado
4) Machado de Assis
5) Vinícius de Moraes
6) Cecília Meireles
7) Carlos Drummond de Andrade
8) Érico Veríssimo
9) José de Alencar
10) Maurício de Souza
11) Mário Quintana
12) Ruth Rocha
13) Zibia Gasparetto
14) Manuel Bandeira
15) Ziraldo
16) Chico Xavier
17) Augusto Cury
18) Ariano Suassuna
19) Paulo Freire
20) Edir Macedo
21) Castro Alves
22) Graciliano Ramos
23) Rachel de Queiroz
24) Luis Fernando Veríssimo
25) Clarice Lispector

51% dos leitores (48,5 milhões) souberam dizer o nome do autor brasileiro que admiram.

Os 4 escritores brasileiros mais votados receberam quase metade das indicações.

Os livros mais importantes na vida dos leitores brasileiros

O Instituto Pró-Livro divulgou hoje os resultados da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil". Diante da pergunta sobre qual era o livro mais importante em sua vida, cada leitor entrevistado respondeu de forma espontânea e com uma única opção. O resultado foi o seguinte:

1) Bíblia
2) O Sítio do Pica-pau Amarelo (OBS: Embora não conste da bibliografia brasileira, é uma referência à obra de Monteiro Lobato)
3) Chapeuzinho Vermelho
4) Harry Potter
5) Pequeno Príncipe
6) Os Três Porquinhos
7) Dom Casmurro
8) A Branca de Neve
9) Violetas na Janela
10) O Alquimista
11) Cinderela
12) Código Da Vinci
13) Iracema
14) Capitães de Areia
15) Ninguém é de Ninguém
16) O Menino Maluquinho
17) A Escrava Isaura
18) Romeu e Julieta
19) Poliana
20) Gabriela Cravo e Canela
21) Pinóquio
22) Bom Dia Espírito Santo
23) A Moreninha
24) Primo Basílio
25) Peter Pan
26) Vidas Secas
27) Carandiru
28) O Segredo
29) A Ilha Perdida
30) Meu Pé de Laranja Lima

Segundo a pesquisa, 59% dos leitores (56,2 milhões) souberam citar o livro mais marcante.

O número de citações da Bíblia é 10 vezes maior que a do 2º colocado.

Dois em cada três entrevistados (contando os não leitores) não souberam dizer ou não informaram um livro marcante.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Livros nos cinemas

Ponto de vista - 16 fev. 2012

Destacamos o artigo intitulado "Filmes de Papel", da autoria de Cora Rónai, publicado hoje na página 12 do "Segundo Caderno" d'O GLOBO, que aborda sobre livros que se tornaram sucesso nos cinemas e vice-versa. Os grifos são nossos:


"É possível que eu só não tenha reparado antes, mas há tempos não via tantos filmes em cartaz nos cinemas fazendo sucesso, simultaneamente, nas livrarias: “Precisamos falar sobre o Kevin” e “A resposta” (“Histórias cruzadas”) ganharam novas edições com capas que remetem aos cartazes dos respectivos filmes, ao passo que “Compramos um zoológico” e “Os descendentes” já chegaram ao Brasil à luz da sua boa estrela hollywoodiana. Ainda não assisti a nenhum dos filmes, mas gostei dos livros, mesmo quando deixam a desejar — caso nítido de “Kevin”. Os quatro, juntos ou separados, fazem um kit perfeito para quem quer sumir do mundo durante o carnaval.

(Não, não me esqueci da nova versão de “Os homens que não amavam as mulheres”, da trilogia “Millennium” — mas este, para mim, é um caso complicado, porque acho que sou a única pessoa no mundo que não gostou dos livros e, menos ainda, da sua versão cinematográfica sueca. Ainda não tenho certeza se quero ver a versão americana.)

As relações entre filmes que nascem de livros e os livros que lhes dão origem são sempre delicadas. Os leitores que se tornam espectadores vão ao cinema para conferir como foi contada a história que já conhecem; os espectadores que se transformam em leitores se apegam aos livros para passar mais tempo na companhia de um filme que os encantou, e costumam reagir mal às diferenças entre o que está nas telas e o que está nas páginas. Leitores habituais tendem a gostar mais dos livros do que dos filmes, o que talvez se explique pelo ritmo e pelas características que a nossa imaginação confere à história escrita: ao ler um livro somos coautores da trama, dando forma a ambientes e personagens. Se o escritor menciona uma garrafa azul, por exemplo, existirão tantas garrafas azuis diferentes quanto leitores, ao passo que no cinema veremos, todos, a mesmíssima garrafa.

Meu livro favorito da atual leva cinematográfica é “A resposta”, título brasileiro para “The help”, que chegou às telas como “Histórias cruzadas” (Bertrand Brasil, tradução de Caroline Chang). Por atrapalhada que seja essa quantidade de títulos, ninguém precisa se preocupar: a editora percebeu a confusão potencial que tinha em mãos e deu um jeitinho de pôr todos eles na capa. Comecei a lê-lo em inglês, no Kindle; depois me lembrei que tinha a edição brasileira e fui atrás do livro “de verdade”. No livro-livro, tenho a exata noção de quanto falta para acabar a leitura, posso dar rasantes nos capítulos à frente e até uma lida em diagonal nas últimas páginas. Esse vaivém é muito chato, quando não impossível, num ebook. Mas “A resposta” é uma armadilha perigosa para um tradutor. Kathryn Stockett reproduz o dialeto dos negros do Sul dos Estados Unidos quando a história é contada pelas empregadas Aibileen e Minny. Caroline Chang, a tradutora, teve o bom senso de evitar linguagens diferenciadas, que soariam ridiculamente artificiais em português; o resultado é que, tendo pulado para a versão brasileira, não senti mais nenhuma saudade do original, e deixei o Kindle de lado.

A história, vocês sabem, gira em torno de uma moça branca recém-saída da faculdade que, em pleno Mississippi dos anos 1960, resolve escrever um livro dando voz às empregadas negras da sua cidade, tratadas como seres inferiores pelas patroas brancas. Apesar de certo maniqueísmo — as negras são invariavelmente sábias e batalhadoras, as brancas, inúteis e sem noção, quase caricaturais — o livro é ágil, bem escrito, ótimo de ler. Agora estou louca para ver o filme.

“Precisamos falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver (Intrínseca, tradução de Beth Vieira e Vera Ribeiro), é, dos nossos quatro livros de cinema, o mais pretensioso — o que faz dele, igualmente, o mais irritante. Eva, mãe de Kevin, um adolescente sociopata que promoveu uma carnificina na escola, relembra a sua relação com o filho numa série de cartas para o ex-marido. O truque é fraudulento, porque alguém que acompanhou aquela relação não precisa da maior parte das informações recebidas, que se destinam, de fato, ao respeitável público. Ao mesmo tempo, o que poderia ser um interessante questionamento sobre a falta de amor entre pais e filhos se perde por causa da mão pesada de Shriver, que pinta Kevin como um monstro desde bebezinho. Ainda assim, o livro é altamente legível, sobretudo para quem gosta de uma boa dose de horror: devorei suas 463 páginas em dois dias, mas confesso que não tenho nenhuma vontade de ver o filme.

“Compramos um zoológico”, de Benjamin Mee (Objetiva, tradução de Angela Pessôa) e “Os descendentes”, de Kaui Hart Hemmings (Alfaguara, tradução de Cássio de Arantes Leite) têm, curiosamente, um ponto em comum: os dois são narrados por homens que perdem as esposas no decorrer da ação. Tirando isso, não podiam ser mais diferentes, até porque “Compramos um zoológico” é autobiográfico, ao passo que “Os descendentes” é ficção — o que, de quebra, serve para provar que a vida real tem, por vezes, enredos mais interessantes do que o mundo da fantasia. Se você gosta de histórias de bichos e de humor britânico, não pense duas vezes, e compre este zoológico para aproveitar o feriado. Já “Os descendentes” é um romance competente que tem, pelo que fiquei sabendo, uma grande vantagem sobre o filme: não tem trilha sonora.
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os livros no rebuliço

Ponto de vista - 10 fev. 2012

Sobre o projeto Estação Leitura, que publicamos no dia 31 de janeiro: Hoje a coluna do Ancelmo Góis, publicada na página 20 d'O GLOBO, conta que a biblioteca sofreu com o quebra-quebra em meio a protestos de usuários contra o mal serviço prestado pela Supervia. Os grifos são nossos:


"Paradoxo do trem

A Estação Leitura, serviço gratuito de empréstimo de livros inaugurado na Estação de Madureira, em janeiro, foi toda destruída no rebuliço de ontem nos trens do Rio.

Uns 300 livros foram roubados. Só restaram dois — “Melhores contos de Moacyr Scliar” e “Cidade Maravilhosa”, de Ivan Jaf. Aliás, três, pois, passada a confusão, um usuário devolveu “Paradoxo do Tempo”, de Philip Zimbrado e John Boyd."

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Livros e sacolas

Ponto de vista - 31 jan. 2012

Trazemos três notas de Amelia Gonzales, publicadas hoje na coluna "Notas", das páginas 8 e 9 do caderno "Razão Social" do jornal O GLOBO . A primeira trás uma boa notícia e as outras duas um alerta. Os grifos são nossos:


"Estação Leitura

Quem passar de trem pela estação de Madureira, subúrbio do Rio, já pode pegar um livro para ler na viagem. O lugar tem urna Estação Leitura, serviço de empréstimos de livros gratuitos, com 150 títulos, cada um com três exemplares. Para fazer o cadastro, é só levar documento de identidade e comprovante de residência. É uma parceria da Oldemburg Marketing Cultural, da SuperVia e da Nestlé e funcionará das 9h às 19h.


Fora sacolas

Cerca de 80% dos supermercados de 120 cidades de São Paulo deixarão de distribuir sacolinhas plásticas. Os clientes poderão levar os produtos em caixas de papelão, bolsas retornáveis ou pagar R$ 0,20 por plástico biodegradável. A decisão faz parte de acordo da Associação Paulista de Supermercados (Apas) com o governo do estado. Jundiaí foi a primeira a adotar a medida.


Fora sacolas I

Exemplo de que uma solução tem vários lados: embora as sacolas plásticas sejam ambientalmente problemáticas, uma análise de laboratório encomendada pela Plastivida mostra que, entre elas, as caixas de papelão e as ecobags, as que mais apresentam risco de contaminação dos usuários por bactérias são as caixas, seguidas pelas ecobags, em função da reutilização.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O destino do Livro entre Pokémon, Backyardigans e tamagochis

Ponto de vista - 06 jan. 2012

Revirando recortes de jornais guardados, encontrei um ótimo artigo intitulado "O futuro dos livros", da autoria de James Warner, publicado na página 3 do caderno "Prosa & Verso" d'O GLOBO de 21 de maio de 2011.

Será que ele acertará em suas insólitas previsões? Só o tempo dirá.



"2020: Todos os livros serão multiplataforma e interativos

Os “livros” do futuro serão agrupados com trilhas sonoras, leitimotivs musicais, gráficos em 3-D e vídeo em streaming. Serão aprimorados com marcadores de página coletivos, namoro online e alertas emitidos por aplicativos sociais geolocalizados a cada vez que alguém na sua vizinhança comprar o mesmo livro que você — qualquer coisa desde que você não precise de fato ler a coisa. Autores vão fazer seu próprio marketing, o leitor será responsável pela distribuição, a sabedoria das multidões se encarregará da edição e a mão invisível do mercado vai cuidar da escrita (se houver alguma). Escritores reagirão tornando-se virais ou animais.

2030: Todos os livros serão financiados em crowdsourcing e armazenados na nuvem

Romancistas vão começar elaborando seus personagens na forma de séries de bonecos de vinil. Se eles gerarem um boca-a-boca razoável, fãs produzirão o romance colaborativamente como um wiki. Conforme você estiver lendo, câmeras termais medirão seus sinais fisiológicos, incluindo oscilações no movimento ocular, contrações dos músculos faciais e batimentos cardíacos, para determinar que rumo você deseja que a história tome em seguida — será esperado que ela leia a si mesma, explique-se e combine de modo não intrusivo no diálogo as mensagens de texto que você for recebendo. Você também será capaz de ajustar com precisão a figuração digital dos personagens, de atirar neles, e (quando imperativo) de entregar-se ao cybersexo. Se um romancista for descoberto postumamente, seus bonecos de vinil podem acabar se tornando itens de colecionador.

2040: Autores serão como tamagochis

Tendo determinado que o que os leitores buscam é um “sentimento de conexão”, editores vão organizar campanhas adote-um-autor, reposicionando escritores no estilo dos Backyardigans e outros animais de estimação imaginários. “Alimentar” seus autores favoritos comprando seus livros fará com que seus avatares virtuais fiquem menos pálidos e entediados. Se eles morrerem de fome sob sua guarda você perderá pontos nas redes sociais. Clubes do livro cultivarão com seus escritores favoritos o mesmo tipo de vínculo caloroso, aconchegante e orgânico que um treinador desenvolve com o seu ou sua Pokémon, um processo que culminará em encontros de luta-até-a-morte entre seu autor e o autor patrocinado por outro clube do livro. Essas lutas ocorrerão offline, já que ainda haverá uma ou duas livrarias existentes, e alguma coisa vai ter que acontecer por lá.

2050: A leitura analógica será simulada digitalmente

À medida em que as pessoas passarem mais e mais tempo imersas em jogos de RPG multiplayer online, elas começarão a ansiar por algum tempo desconectadas. Mundos virtuais começarão a incluir “bibliotecas” onde você poderá se refugiar. Lá você poderá entrar numa banheira virtual e confortavelmente folhear um daqueles tomos puídos — baseados em narrativa linear no estilo velha guarda — que a essa altura já terão sido proibidos no mundo real. Serão reproduzidas perfeitamente a sensação de virar as páginas, as dobras na lombada e o ocasional corte no dedo. Por volta de 2052, 95% da atividade de 73% dos gamers se passará num desses esconderijos, já que eles serão o único lugar onde será possível escapar da incessante construção de comunidades e da conectividade que então será considerada um aspecto enervante da realidade offline.

2060: Livros físicos farão uma reentrada em contextos inconvenientes

Com material impresso tornando-se cada vez mais difícil de encontrar, o Arquipélago dos Antiquários será um popular show de infotainment, estrelando arquivistas com armamento pesado teleportando-se de ilha para ilha em busca de raros tesouros. Enquanto isso novos livros impressos ainda serão lançados — na forma de sobrecapas feitas de fungos comestíveis — como joias faux-antique em Feiras da Renascença e eventos de reencenação histórica nostálgica assemelhados. O último bibliófilo atravessará a cidade em estupor, perguntando-se o que aconteceu com as livrarias. Enquanto isso todo o conhecimento humano será gravado num chip e enviado para o espaço sideral por alunos da quinta série, como estratégia para se livrar do dever de casa.

2070: Nós todos viraremos cyborgs

Novas interfaces entre o cérebro e o computador redefinirão a narrativa, à medida em que eletrodos implantados no neocórtex induzirem histórias a tomarem forma, sem intervenção de terceiros, como alucinações duradouras. Eis que os “leitores” do futuro passarão a maior parte do tempo num estado de evasão epiléptica. Inteligências artificiais usarão o reconhecimento de padrões estruturais profundos, modelagem preditiva e teoria da informação para garantir que cada novo estado de transe seja popular o bastante para ser votado ao topo das plataformas mais quentes de ranqueamento de conteúdo. Nanorobôs em nossa corrente sanguínea vão nos informar como devemos nos comportar, coordenando nossas ações com informações em tempo real de marketing e tendências comportamentais e atitudiais, até que o próprio conceito de individualidade seja reconfigurado, resultando na morte do pensamento independente e na eliminação de muitos de nossos descendentes por vírus mentais interpessoais.

2080: Uma era de ouro de fluidez informacional

Em reconhecimento àquelas pessoas em debates sobre o-futuro-do-livro — há sempre uma dessas, por algum motivo — que insistem que o importante no fundo não é o texto mas o cheiro do livro, livros estarão a essa altura disponíveis apenas como linhas de perfumes. Em seguida, os seres humanos se transformarão numa espécie com um poderoso sentido olfativo, capaz de ler debaixo d’água decodificando sequências de feromônios. A bibliografia-em-aroma será triunfante, à medida em que vastos épicos forem compostos para receptores de fragâncias recentemente desenvolvidos, transformando os mares em elevação numa gigantesca solução de conteúdo transmídia produzido comunitariamente. Também por essa época, a literatura oral dos golfinhos será decifrada e acabará, inexplicavelmente, por ser toda ela sobre vampiros.
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James Warner é escritor, autor de “All Her Father’s Guns” (um livro de verdade!). Mais informações em Texto publicado originalmente na revista McSweeney’s.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os Arquivos de Sherlock Holmes - resenha



Os arquivos de Sherlock Holmes
Sir Arthur Conan Doyle
Martin Claret
228 páginas. R$ 17,50.
www.martinclaret.com.br


“... era brasileira de nascimento... Filha do sol e da paixão. Ela o amou como só essas mulheres podem amar.” (O problema da ponte Thor)

Assim Arthur Conan Doyle, um escritor e médico nascido em Edimburgo (Escócia) no ano de 1859, descreve a única personagem brasileira da obra que resenhamos. A fama desse autor deve-se, certamente, por suas obras cujo personagem principal é o detetive Sherlock Holmes; embora, além da literatura criminal, também tenha escrito peças de teatro, poesias e obras de não-ficção; entre outros gêneros.

“Os arquivos de Sherlock Holmes”, publicado pela editora Martin Claret, é uma tradução de Casemiro Linarth da obra de título original “The Case-Book of Sherlock Holmes”, uma coleção de contos publicados pela primeira vez entre 1921 e 1927 em revistas da Inglaterra e dos EUA. Foi a derradeira obra do autor sobre Sherlock Holmes, personagem o qual ele já havia “matado” em 1893, mas que decidira “ressuscitar” em 1903, após uma enxurrada de apelos de seus fiéis leitores.

Como nos quatro romances e nos outros quatro contos que formam o chamado cânone do personagem, ficamos em grande expectativa durante o desenvolvimento da narrativa, tentando, nós mesmos, encontrar as pistas e desvendar os mistérios; mas o grande detetive sempre nos surpreende. Sherlock Holmes é sempre procurado por seus clientes devido a sua fama e reconhecimento. No conto “Os três Garriders”, o personagem seu amigo, dr. Watson, narra que Holmes teria recusado o título de cavaleiro em 1902. Uma brincadeira perspicaz, pois foi exatamente o ano em que o autor do conto foi condecorado com tal título, passando a ser chamado de Sir Arthur Conan Doyle.

Chama-nos atenção, como casos, digamos, excepcionais, que dois contos são narrados pelo próprio protagonista, Sherlock Holmes: “O soldado pálido” e “A juba do leão”. O ritmo da narrativa é bem diferente dos casos narrados pelo seu (quase) inseparável amigo, Watson. Também damos destaque, neste último conto citado, ao trecho em que o sisudo celibatário Sherlock Holmes se encanta por mulher:

“Não se podia negar que ela embelezaria qualquer reunião no mundo. (...) Raras as vezes senti atração por mulheres, pois o cérebro sempre governou o meu coração, mas me bastou olhar aquele rosto perfeitamente delineado, delicadamente colorido pelo frescor suave das terras baixas, para compreender que nenhum jovem poderia atravessar-se no seu caminho e sair ileso”.

As mulheres ibero-americanas por sinal, com suas personalidades fortes, ganham destaque do autor em três contos: A brasileira citada no início, uma peruana (O vampiro de Sussex) e uma outra espanhola cuja família “governou Pernambuco durante gerações” (Os três frontões).

“A inquilina do rosto coberto” é um conto muito perspicaz, que foge de qualquer padrão pelo seu desfecho; pois nele Holmes age de forma diferente. No mesmo conto, e num outro (O velho solar de Shoscombe), alguns crimes não são necessariamente punidos.

Holmes, como conhecemos de outras obras, não se importa em receber os créditos por decifrar os mistérios, mas trabalha mesmo pelo desafio mental do método da lógica dedutiva. No ótimo conto “Cliente Ilustre”, o que o motiva é o desafio:

“Se é mais perigoso que o Prof. Moriarty vale a pena conhecê-lo”.

Não é a toa que CSI é a série mais vista em todo o mundo nos dias de hoje. Tal qual Batman, o famoso herói dos quadrinhos e do cinema, tiveram no personagem Sherlock Holmes sua referência; e conquistam mais fãs a cada dia.

Perto da estréia de mais um filme sobre Sherlock Holmes no cinema, recomendamos a leitura da obra do Sir Arthur Conan Doyle. Sempre, sempre o livro será melhor. O hábito de leitura nunca deve ser deixado de lado, preterido pela televisão ou pela tela grande. O personagem Sherlock Holmes, inclusive, valoriza a cultura geral... De tudo se dever ler um pouco. Em vários contos, ele encontra nos livros as chaves para desvendar os mais intrincados mistérios:

“Sou um leitor que devora tudo. (...) Eu sabia que tinha lido em alguma parte num contexto inesperado.” (A juba do leão).

Assim também o é em nossas vidas. O livro muda as pessoas porque as ajuda a decifrar o mundo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Quantos livros você lê por ano?

Ponto de vista - 15 dez. 2011

A matéria de André Miranda, intitulada "O longo caminho até as metas do MinC ", publicada na página 12 do Segundo Caderno d'O GLOBO de hoje, sobre o anuncio das metas do governo federal expressas no Plano Nacional de Cultura, dá números alarmantes sobre a falta de hábito de leitura do brasileiro em geral. A média de livros lidos anualmente, digamos, por prazer, não chega a dois; quando o mínimo ideal, seriam quatro. Os grifos são nossos:


"[...] uma das metas do PNC [Plano Nacional de Cultura] é que todos os municípios brasileiros tenham uma biblioteca pública. Até o fim do ano, de acordo com a Fundação Biblioteca Nacional, apenas 18 dos 5.565 municípios brasileiros ainda não terão recebido o kit para a implantação de suas bibliotecas, o que deve acontecer em 2012. A partir do recebimento do kit, os municípios têm três anos para implantar sua biblioteca. Atualmente, há 5.530 bibliotecas públicas no país.

Além da presença física, outra meta do PNC é que cada brasileiro leia quatro livros por ano, sem contar aqueles do aprendizado formal.

— Para se chegar à meta, será preciso trabalhar muito. Hoje, a média é de 1,3 livro lido por ano entre não estudantes — afirrna Galeno Amorim , presidente da Biblioteca Nacional.— Mas é possível. Ao criarmos mais bibliotecas, ampliarmos os pontos de venda e baratearmos os preços, o índice de leitura vai aumentar — promete."

domingo, 11 de dezembro de 2011

Livros: afeto e provocação

Ponto de vista - 11 dez. 2011

Ansioso para ler "O Cemitério de Praga" (Record, 480p.), gostei muito da entrevista concedida pelo escritor Umberto Eco ao jornalista Guilherme Aquino, publicada hoje na página 4 do Segundo Caderno d'O GLOBO sob o título "O mestre dos livros". Destaco as respostas para duas perguntas da dita entrevista. Os grifos são nossos:


"• O senhor gosta de desafiar o leitor com fatos e palavras...

- Somos 7 bilhões no mundo, então o número dos meus leitores é mínimo, mas alguns querem um desafio, querem que um livro seja uma provocação para a inteligência, um esforço. Os editores acham que o leitor quer coisas fáceis. Mas, para isso, ele já tem a televisão. Ninguém consegue explicar por que o único livro fácil que escrevi, "A misteriosa chama da Rainha Loana" (2004), não interessou a ninguém. Tudo chega mastigado. Escrevo para os masoquistas que querem ser maltratados.


• Qual é a sua relação com a tecnologia? Acredita que o livro em papel resistirá?

- O livro de papel tem ainda um destino a ser cumprido, pelo menos no sentido técnico. Temos a prova científica de que um livro de papel dura 550 anos. Eu tenho na minha biblioteca livros produzidos cinco séculos atrás. Não temos ainda a capacidade de provar que um material eletrônico dure mais do que X anos, mas certamente não será de 500 anos, porque existe uma renovação contínua. Há ainda o fato de que você encontra no porão de casa o livro que leu quando tinha 10 anos, com os seus sinais nas margens... Se amanhã encontrar no porão um pen-drive, ele não vai lhe dizer nada. Com o livro, se estabelece uma relação física, carnal, afetiva. Enfim, é muito melhor para uma criança levar para a escola um iPad com os dicionários do que levar todos os volumes nas costas. Mas é muito difícil ler "Guerra e paz" num e-book. Com o tempo, mudei levemente de opinião. Recentemente fiz viagens de 20 dias e levei 20 livros pesados. Na segunda vez, carreguei 20 livros no iPad."

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Figadal literatura

Ponto de vista - 30 nov. 2011

Hoje na coluna de Francisco Bosco, em artigo intitulado "Minhas doenças", na página 2 do Segundo Caderno d'O GLOBO, um exemplo muito forte de identificação com os livros e com a literatura. Confira o trecho (os grifos são nossos):


"[...] Já adoeci também lendo livros; livros longos, exigentes, de alta concentração de Vida. Adoeci com certa gravidade enquanto lia as 1.600 gloriosas páginas de “Guerra e paz” [do escritor russo Leon Tolstói]. Diversas vezes sonhava com a história do livro: tão forte é ele que sua realidade prevalecia sobre os vestígios de meu dia. Um livro mais real que a realidade: não é outra a exigência da literatura. Antonia, com quem sou casado, atribuía minha doença ao livro, e pedia que eu o abandonasse. [...]"

* * * * *

Dia desses eu lia no Skoob (a rede social de livros) a sinopse e resenhas sobre o livro "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski (Editora Martin Claret) - outro clássico escritor russo. Praticamente todos, mesmo os que não tinham gostado, destacavam a profundidade do livro. E você leitor: Já teve uma relação tão íntima com alguma obra? Ficou pensando na história durante o dia? Chegou ao ponto de passar mal ou sonhar com personagens nos dias de leitura?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Ética e os clássicos

Ponto de vista - 28 nov. 2011

Destaco o artigo do escritor Frei Betto, autor de "Batismo de Sangue", intitulado "Águas da ética", que foi publicado Domingo (27/11) na página 7 d'O GLOBO. Um excelente artigo sobre a Ética, tão necessária nos dias de hoje, trilhando o caminho de vários pensadores; autores de vários clássicos da literatura universal. Os links e os grifos são nossos:


"Sócrates foi condenado à morte por heresia, como Jesus. Acusaram-no de pregar novos deuses. Tal iluminação não lhe abriu os olhos diante do céu, e sim da Terra. Percebeu não poder deduzir do Olimpo uma ética. Os deuses do Olimpo podiam explicar a origem das coisas, não ditar normas de conduta.

A promiscuidade no Olimpo não convinha traduzir-se em atitudes; assim, a razão conquistou autonomia frente à religião. Em busca de valores capazes de normatizar a convivência humana, Sócrates apontou a nossa caixa de Pandora: a razão.

Se a moral não decorre dos deuses, devemos erigi-la. Em Antígona, peça de Sófocles, em nome de razões de Estado Creonte proibiu Antígona de sepultar seu irmão Polinice. Ela se recusou a obedecer a “leis não escritas imutáveis, que não datam de hoje nem de ontem, que ninguém sabe quando apareceram”. Eis a afirmação da consciência sobre a lei, da cidadania sobre o Estado.

Platão ensinou a discernir realidade e ilusão. Em República, lembrou que, para Trasímaco, a ética de uma sociedade reflete os interesses de quem ali detém o poder. Poder é o direito concedido a um indivíduo ou conquistado por um partido ou classe social de impor a sua vontade aos demais.

Aristóteles nos arrancou do solipsismo ao associar felicidade e política. Mais tarde, Santo Tomás de Aquino, inspirado nele, formulou uma ética política ao priorizar o bem comum e valorizar a soberania popular e a consciência individual como reduto indevassável.

Maquiavel, na contramão, destituiu a política de ética e a reduziu ao jogo de poder.

Para Kant, a grandeza do ser humano reside na ética, na capacidade de se autodeterminar a partir da própria liberdade. Há em nós um senso inato do dever. Não deveríamos deixar de fazer algo por ser pecado, e sim por ser injusto. A ética individual deve se complementar pela ética social, já que não somos um rebanho de indivíduos, mas uma sociedade que exige, à boa convivência, normas e leis e, sobretudo, cooperação de uns com os outros.

Hegel e Marx acentuaram que a liberdade é sempre relacional, consiste na construção de comunhões com a natureza e os nossos semelhantes. Porém, a injustiça torna alguns dessemelhantes.

Nas águas da ética judaico-cristã, Marx ressaltou a irredutível dignidade de cada ser humano e, portanto, o direito à igualdade de oportunidades. Em outras palavras, somos tanto mais livres quanto mais construímos instituições que promovam a felicidade de todos.

A filosofia moderna abriu novo campo de tensão ao frisar que, respeitada a lei, cada um é dono de seu nariz. A privacidade como reino da liberdade total. Deslocou a ética da responsabilidade social (cada um deve preocupar-se com todos) para os direitos individuais (cada um que cuide de si).

Tal distinção ameaça a ética de ceder ao subjetivismo egocêntrico. Tenho direitos, prescritos numa Declaração Universal, mas e os deveres? Que obrigações tenho para com a sociedade em que vivo? O que tenho a ver com o faminto, o excluído e o meio ambiente?

Daí a importância do conceito de cidadania. Os indivíduos são diferentes e, numa sociedade desigual, tratados segundo sua importância na escala social. Já o cidadão, pobre ou rico, é dotado de direitos invioláveis, e está sujeito à lei como todos os demais.

Agora, a humanidade desperta para os efeitos nefastos de seu modo de subjugar a natureza.

A recente consciência ecológica amplia a noção de ethos. A casa é todo o Universo. Não se fala de Pluriverso, mas de Universo. Há uma íntima relação entre todos os seres visíveis e invisíveis, do macro ao micro, das partículas elementares aos vulcões.

Segundo Teilhard de Chardin, o princípio da ética é o respeito a todo o criado para que desperte suas potencialidades. Assim, faz sentido falar da dimensão holística da ética.

O ponto de partida da ética foi assinalado por Sócrates: a polis, a cidade. A vida é processo pessoal e social. A ótica neoliberal erra ao dizer que cada um se contente com o seu mundinho.

Mas fica a pergunta de Walter Benjamin: o que dizer a milhões de vítimas de nosso egoísmo?"


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O blog incluiu links que não constavam do original. São livros do catálogo da Martin Claret, editora que se destaca no mercado por priorizar os clássicos da literatura universal, publicando-os em formato de bolso e num preço bastante acessível; o que é uma louvável ação de promoção da leitura.