sábado, 17 de maio de 2008

Brasil mais poluído

"A queda da Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, anunciada ontem, 13 de maio de 2008, com seu pedido de demissão em caráter irrevogável, deixa o Governo Lula completamente despido de sua roupagem ambiental, ainda que fosse uma pequena folha de araçá. Com a autoexoneração de um dos maiores ícones da luta ambiental no país e no mundo, termina a longa agonia que simbolizou a gestão de Marina à frente do Ministério, na resistência contra toda uma política insustentável de crescimento econômico, em detrimento da preservação de nossos recursos naturais, que já foram fartos e estão em acelerado esgotamento.
[...]
Em última análise, Marina saiu porque, de transversal e integrada, como ela lutava para que fosse a política ambiental do governo, mais uma vez o meio ambiente foi enxergado - ao lado das questões indígenas e quilombolas - como um entrave ao desenvolvimento. "Melhor perder o pescoço do que perder o juízo", já dizia a Ministra ao falar sobre um dos inúmeros enfrentamentos do qual participou no governo. Ainda que tarde, mostra a seringueira do Acre, alfabetizada aos 14 anos, que sua trajetória não pode mais ser enxovalhada por um governo rendido aos interesses do grande capital e sem compromisso profundo com a salvação do planeta doente.
[...] Marina afinal percebeu que não tinha mais ambiente num governo politicamente transgênico, que privilegia um crescimento econômico insustentável. Insustentável seria também sua permanência, sem transposição de suas convicções. Para uma política séria de meio ambiente, não havia meio termo. Polui-se um pouco mais o Brasil, desmata-se um pouco mais o solo, já tão calcinado, da vida pública brasileira".

Essas são palavras do deputado federal Chico Alencar, em pronunciamento na Câmara, no dia 14 de maio. E por concordar, eu publico aqui... mas com grifo nosso.


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Frei Betto, na Folha de S. Paulo, também foi categórico (o grifo também é nosso):


"Caíste de pé! (...) Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias.

Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.

Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?".

Veja o artigo completo no Blog do Noblat.

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